Crítica: Batman vs Superman – A Origem da Justiça


Zack Snider toma decisões corajosas, mas grandiloquência e ausência de ritmo impedem que a origem do universo DC decole.

Batman vs Superman

Uma das definições de perspectiva é de “forma ou aparência sob a qual algo se apresenta.”. Como dizem por aí, tudo é questão de perspectiva, ou de falta dela, e “Batman vs Superman – A Origem da Justiça” tem uma perspectiva muito clara:

A visão grandiloquente de seu diretor Zack Snider a respeito do universo DC.

Ironicamente talvez seja esse o grande problema da “Origem da Justiça”.

O olhar de Snider transforma as 2 horas e 40 minutos de filme em  um incessante encadeamento de cenas com intenção de grandiosidade. Há todo momento o enquadramento e a elevada trilha sonora (cansativa) tentam vender a ideia de gravidade e urgência.

Mas, quando tudo é pretensão de magnificência, não há como se distinguir os momentos de clímax do restante do filme.

Colocando de forma mais clara: falta variação e sutileza na historia que se propõe a ser o prefacio da Liga da Justiça.

 Por essa razão o filme se torna longo e cansativo, mesmo que tenha conteúdo que justifique sua longa duração.
Mas nem tudo são trevas para Zack Snider: foram tomadas decisões corajosas no longa, o que deixarão os fãs curiosos em relação aos rumos que serão tomados nos próximos filmes.

OS HERÓIS SALVAM

Apesar das falhas de condução de Snyder, nem tudo é insatisfatório.

Ben Affleck incorpora com qualidade um Bruce Wayne velho e amargo, fruto de mais de 20 anos combatendo o crime em Gotham. O Batman aqui está mais violento do que nunca, sem qualquer respeito pela lei e pelo sistema que ela protege.
Ainda que prefira as motivações originais da HQ, que levaram ao confronto do Homem-Morcego com Superman, a construção de sua motivação é suficientemente satisfatória para não atrapalhar o filme.
Henry Cavil interpreta um Superman correto, mas sem brilhos. Há um problema intrínseco na figura do filho de Crypton: a dificuldade do telespectador criar empatia por alguém que é a personificação de uma deidade.
Nossa conexão com ele limita-se a sua relação emocional com a mãe, Martha Kent; e sua parceira, Louis Laine.
Já a participação da Mulher-Maravilha seja talvez a mais interessante e dúbia do filme.
Para quem é fã do universo DC dos quadrinhos e já está minimamente habituado a ele, a inserção da Diana Prince ocorre de forma fluída e bastante harmônica. E, quando finalmente a mesma se revela de “capa e escudo”, não decepciona. Foi o único momento em que foram ouvidos aplausos na minha sessão.
Entretanto, para quem não está habituado a mitologia da Mulher-Maravilha suas aparições soam confusas e sem explicação.

LEX LUTHOR GERAÇÃO MILÊNIO

Sem dúvida o personagem mais deslocado do filme encontra-se no vilão Lex Luthor.
Uma amálgama mal construído de vilão “geração milênio” com o Mark Zuckerberg de “A Rede Social”, falta motivação ao Lex Luthor de Jesse Eisemberg.
O ator tenta desenvolver um vilão performático e overreacted, com cabelos extravagantes e trejeitos estranhos. Mas o resultado acaba sendo apenas isso: um personagem estranho, que não gera medo ou preocupação.

NO FINAL DAS CONTAS,

“A Origem da Justiça” deverá ser o suficiente para que não seja abortada a expansão do Universo DC. Sem dúvida há potencial na semente plantada por Zack Snyder, mas é essencial que a Warner encontre o ritmo e o peso certo para suas próximas produções.

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Comments 2

  1. Realmente a Marvel transformou o público de filmes de heróis em idiotas. Quando o cara tem cunhão de fazer um filme desse tirando as melhores coisas dos últimos 30 anos dos quadrinhos e o spoiler do Flash no que acontece no futuro da liga, foram sensacionais. As musicas perfeitas de Hans Zimme que aumentaram ainda mais a tenção das cenas ficaram foda tbm. Melhor filme do ano!

    1. Opa Rodrigo, se a Marvel “transformou” o público de filmes de herói em idiotas, e a DC não tá conseguindo agradar nem eles, o que isso faz dos filmes da DC?
      Acho que o dr. deveria ter mais respeito pelas opiniões dos outros, antes de ficar taxando os outros de idiotas. O que acha?

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