Crítica: Batman – A Corte das Corujas


Batman é talvez meu personagem favorito dos quadrinhos.

A estrutura mitológica do personagem somado a carga psicológica inserida por seus escritores no decorrer das décadas levou a um dos personagens mais contraditórios e fascinantes que podemos encontrar no universo mainstream das HQ’s.

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Com toda a carga dramática de ter presenciado a morte de seus pais, o milionário Bruce Wayne cresce com sede de vingança e, ao chegar a vida adulta, resolve lançar mão de seus recursos financeiros para virar um vigilante noturno e trazer “justiça” à aqueles que causam mal por toda Gotham. E assim nasceu Batman.

Surgido em 1939 na revista Detective Comics nº 27, o Batman é ao mesmo tempo, puritano e fascista. Seu senso de justiça, mesmo que considerado louvável, é muitas vezes levado as últimas consequências, quase sempre fruto de sua compulsão por controle e justiça nos seus próprios termos. Em muitos sentidos podemos considerar Batman o ditador de Gotham.

A constante referência do Coringa de Heath Ledger em “Dark Knight” ao fato de que Batman deveria fazer companhia a ele no Manicômio de Arkham parecem bem coerentes quando olhamos com atenção.

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“Todo sábado, a Gazeta de Gotham publica um artigo cotidiano chamado Gotham É. (…)

A Gazeta vem publicando Gotham É há anos, desde que eu era garoto.

Aqui vão algumas das palavras usadas para descrever a cidade nos últimos anos:

Condenada. Amaldiçoada. Tumultuadas. Assassina. (…)

Claro, uma das respostas mais comuns para Gotham é é Batman.

Gotham é o Batman, Gotham é a cidade do Batman, Gotham é o Morcego.

Sou suspeito para julgar essas respostas.”

Batman: A Corte das Corujas

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Com o fim da saga Ponto de Ignição a DC reformulou suas publicações sob o nome de Novos 52, realizando um reboot em praticamente todas suas publicações. Batman foi uma exceção. Apesar de também levar o logo da nova fase e de ter sua numeração zerada, o universo do Batman continuou praticamente intocado, o que tornou desnecessário recontar as origens do  morcegão de Gotham.

Dentro disso se desenvolveu uma das melhores sagas dos últimos anos da DC: “A Corte das Corujas”. Presente nas edições 1-7 da revista Batman, com roteiro de Scott Snyder (escritor de Vampiro Americano) e desenhos de Greg Capullo, que fez fama dando vida a Spawn), o arco em questão faz juz a um nova numeração dos quadrinhos do cavaleiros das trevas.

 

A HISTÓRIA

Em “A Corte das Corujas” vemos Batman tendo de lidar com um grupo antigo e obscuro (que deu nome a saga) que existira em Gotham a gerações, mas que hoje é tratado como lenda urbana. A morte de um desconhecido e um alerta a respeito da eminente morte de um importante magnata da cidade coloca o Homem-Morcego em uma corrida por cantos obscuros da cidade, tentando descobrir a verdade a respeito desse supostamente mítico grupo.

Como é de praxe nas HQ’s do morcegão, temos no decorrer da história uma infinidade de divagações e diálogos internos do personagem. Como já disse anteriormente,  parte da graça do herói é justamente poder estar dentro de sua mente e esquadrinhar suas noções e ideias extremamente conflitantes. Aqui isso não é diferente, inclusive aumentando de forma exponencial conforme avançando na leitura.

Enquanto Batman vai investigando a “Corte das Corujas” o mesmo se depara com informações e situações que o levam a questionar o passado de “sua cidade” e o quão bem a conhece (ou julgava conhecer). Gotham sempre teve um papel importante nas tramas do herói, mas aqui mais do que nunca ela é um personagem. Um personagem de peso e presença constante, que pressiona o Homem-Morcego e o leva a situações extremas e a repensar suas crenças.

Se há um problema na estória contada no encadernado lançado pela Panini é que ela não acaba. Na verdade “A Corte das Corujas” pode ser considerado um grande prelúdio da história que se segue: “A Noite das Corujas”. Apesar de ter um arco relativamente fechado no que tange a constatação da existência ou não da corte das corujas, o final nos trás um Cliff hanger que nos deixa ansioso pelo próximo encadernado.

“A Corte das Corujas” já nasce um clássico e vem para reafirmar a capacidade da DC em produzir boas sagas e histórias fechadas, em especial para o louco mais amado dos quadrinhos.

 

NOTA

9,0/10,0

corte das corujas

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