Crítica: A Lição de Anatomia do Terrível Dr. Louison


A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison

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A literatura fantástica brasileira cresceu muito desde o início dos anos 2000. Desde sucessos como o de André Vianco com “Os Sete” e de Spohr com “A Batalha do Apocalipse”, os autores tupiniquins parecem ter encontrado um espaço definitivo no mercado literário.

Apesar do sucesso e da qualidade de boa parte desses livros, nenhum deles havia ainda criado um universo que trouxesse um arcabouço de referências que permitissem classificar a obra como verdadeiramente nacional. Na hora de desenvolver sua estória, a maior parte deles ainda traz grandes influências exteriores como o universo “tolkiano” ou do mundo vampiresco dos RPG’s.

Era mais uma literatura nacional fantástica nacional do que uma literatura fantástica nacional.

Mas isso começou a mudar no ano passado quando a “Casa da Palavra” lançou a obra “A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison”, de Enéias Tavares.

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Ambientada em uma Porto Alegre no início do século XX, Enéias consegue transpor o universo “Steampunk” para a capital do estado rio-grandense de forma extremamente harmoniosa e convincente.

“A Lição de Anatomia do Terrível Dr. Louison” nos coloca diante de um escândalo dentro da sociedade gaúcha:

Descobre-se que o terrível assassino em série que já havia dado cabo de diversas pessoas da alta sociedade rio-grandense é o famoso Dr. Louison. O que levou o inteligente doutor a cometer quais crimes? Quais mistérios se escondem por trás dessas mortes? Dr. Louison é um monstro, um injustiçado ou nenhum dos dois?

Um jornalista, um policial, uma meretriz, um alienista e um doutor; a estória toda é contada em primeira pessoa por diversos personagens, na forma de diários, gravações e cartas. Essa forma de narrativa permite que o leitor vá colecionando pontos de vista ao redor da trama, ao mesmo tempo em que vai tendo condições de desvendar os mistérios da trama.

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“A lição de Anatomia” seria uma grande estória de mistério steampunk por si só, mas Enéas Tavares vai além. Ao inserir na trama um arcabouço de referências culturais e literárias brasileiras de forma impecável, o Autor, dá uma marca efetivamente nacional à sua fantasia.

No Rio Grande do Sul do Dr. Louison encontramos o Alienista de Machado de Assis, ouvimos a respeito do jovem imortal de Álvares de Azevedo e nos encantamos com as cortesãs de Aluízio de Azevedo. Nos mistérios da trama nos deparamos com magias indígenas e referências afro.

O livro de Tavares é o que de melhor pode se encontrar hoje na literatura nacional fantástica.

Nota: 10,0/10,0

 

Créditos da imagem:
http://portalcaneca.com.br/wp-content/uploads/2015/01/topoentrevistaeneiastavares.jpg

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