Com HoloLens, Microsoft quer evitar erros do Google


Quando o Google lançou os óculos inteligentes Google Glass quatro anos atrás, a empresa recorreu a paraquedistas usando óculos esportivos movimentando um centro de convenções em San Francisco, modelos usando óculos em um chamativo desfile e uma campanha no Twitter para notificar os primeiros “Glass Explorers” sobre a sorte deles de conseguirem o dispositivo.

Students from Case Western Reserve University don the new HoloLens during the keynote address during the Microsoft Build 2016 Developers Conference in San Francisco, California March 30, 2016. REUTERS/Beck Diefenbach/File Photo
Students from Case Western Reserve University don the new HoloLens during the keynote address during the Microsoft Build 2016 Developers Conference in San Francisco, California March 30, 2016. REUTERS/Beck Diefenbach/File Photo

Este ano, quando a Microsoft exibiu uma edição inicial de seu óculos de realidade aumentada HoloLens, adotou a abordagem oposta: mirou sobre os desenvolvedores de software para tornar o dispositivo útil. Sem acrobacias. Sem divulgações de moda. Sem nenhum marketing para consumidores.

“Eles estão adotando uma abordagem mais controlada com o HoloLens e esta é a estratégia correta”, disse Tipatat Chennavasin, sócio geral da Venture Reality Fund, que investe em empresas iniciantes de realidade aumentada e realidade virtual. “Você não quer criar uma expectativa exagerada e deixar as pessoas decepcionadas, foi isso que aconteceu com o Google Glass.”

O lançamento discreto reflete os obstáculos intimidantes que estão confrontando a incipiente indústria de realidade aumentada, conhecida como AR (na sigla em inglês). Tais dispositivos sobrepõem imagens ao que está sendo visto pelo usuário com a meta de melhorar a eficiência em negócios variando desde consultórios médicos até chãos de fábrica.

Alguns veteranos da indústria vêem essa tecnologia como uma oportunidade ainda maior que sua prima, a realidade virtual, que imerge completamente os usuários em um mundo artificial. Mas os esforços iniciais ao redor da realidade aumentada, incluindo o Google Glass e o próprio antecessor do HoloLens, o Kinect, também da Microsoft, falharam.

“A Microsoft tem uma enorme oportunidade aqui, isto é: criar um mercado para realidade mista e holográfica e dominá-lo”, disse o analista da Forrester Research, J.P. Gownder. Sucesso, ele disse, significaria vender milhares de unidades para empresas até o fim de 2017.

Mas a história sugere que as realidades aumentada e a virtual ainda têm um longo caminho pela frente.

Os desenvolvedores de realidade virtual até chegaram a ganhar impulso com o Oculus, do Facebook, mas estão se concentrando em videogames enquanto nenhum outro aplicativo fundamental surgiu ainda. Muitos usuários ainda têm problemas com náuseas.

O Google mudou seu foco também e não mais vende o Glass para consumidores, mas está disponível a desenvolvedores de aplicações.

James Ashley, um desenvolvedor de software e especialista em Kinect afirmou que a Microsoft está tentando “corrigir o erro visto com o Kinect, que foi que ele era apenas para jogadores de videogames”.

“Eles estão tentando alinhar esta nova tecnologia com seus negócios principais de “criar tecnologia para corporações”, disse Ashley.

 

Reuters

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